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12 de agosto de 2020

Entrevista: Pedro Ferreira

Conta o que faz da vida, profissão, família, estudo e onde vive atualmente

Tenho 43 anos, nasci e moro em Vitória da Conquista, formado em ciência da computação pela UESB e trabalho como analista de tecnologia da informação na UFBA, campus de Conquista.

Como Começou a jogar xadrez (resumido)

Comecei jogar em 1992, aos 15 anos. Meu primo, Ivomar, ganhou um livro de xadrez em seu aniversário e soube que tinha um clube de xadrez na cidade e me convidou para irmos visitar. Chegando ao clube fomos muito bem recebidos pelos jogadores presentes, aprendemos a jogar e encantei-me com o jogo e com toda aquela atmosfera amistosa e voltada para lúdico. Continuei a freqüentar o clube, conhecer e jogar com os demais jogadores, participar de torneios locais e “viciei” no xadrez.

 

Como foi sua trajetória até o título e seus adversários mais difíceis na época

Em 1995, em minha primeira participação numa final do baiano fiquei na quinta posição, ano seguinte, em 1996, fui vice-campeão e então em 1997 estava preparado e tinha reais chances de ser campeão. Nessa época meus adversários mais difíceis foram Julio Cezar, Paulo Jatobá, Adriano e Hemar Barata, inclusive enfrentei os três últimos na final.  

A final de 1997 aconteceu no clube de Bridge de Salvador. Foi jogado com sistema de emparceiramento schuring com 12 participantes previamente classificados em torneios classificatórios. Joguei bem sólido e forte nessa final, fazendo 9 pontos, sem perder nenhuma partida, mas Hemar jogou também muito bem e fez a mesma quantidade de pontos, e então o título seria disputado em um match de desempate de 4 partidas.

Esse match aconteceu no início de 1998, também no clube de Bridge de Salvador. Foi um match bem disputado, pois, Hemar sempre foi um adversário muito sólido e difícil de vencer. Consegui ganhar a primeira partida e empatar as restantes e tornar-me o primeiro jogador do interior da Bahia a ser campeão baiano.

 

Você esperava ser campeão, fez uma preparação ou não estava confiante

Desde quando eu comecei a jogar competições de xadrez eu almejava ser um forte jogador e conseqüentemente ser campeão baiano de xadrez. Não cheguei fazer uma preparação específica para a final do Baiano, na verdade, eu nunca tive um estudo sistemático. Lembro-me que eu estudava livros de finais, tática e de torneios sem planejamento nenhum, contudo, esses estudos foram muito importantes e tenho certeza que fizeram a diferença na construção do enxadrista que sou.

Minha confiança para a final do baiano era grande, pois, estava gradualmente melhorando meu nível de xadrez e tinha reais chances de ser campeão.

 

O que acha que mudou de 1997 pra cá, depois destes 23 anos?

Depois do título de 97 eu ainda joguei competitivamente por mais uns cinco anos, mas depois não consegui mais conciliar o xadrez com os estudos acadêmicos e o trabalho. Então, passei a jogar com menos frequência, diminuindo a minha participação em torneios,  e a jogar mais blitz na internet. 

Com isso meu nível de jogo caiu consideravelmente, mas mesmo assim me divirto muito jogando amistoso e acompanhando as notícias do xadrez mundial.

 

Você teve algum treinador ou sempre treinou só. Qual jogador mais te ajudou a chegar ao título de campeão estadual?

Como a grande maioria dos jogadores “amadores”, nunca tive treinador. Na grande maioria das vezes estudava sozinho, pegava livros  emprestado na biblioteca do clube conquistense de xadrez ou do jogador Armínio e levava para casa para estudar.  Por falar em Armínio, ele foi a pessoa que mais me ajudou em minha carreira enxadrística: emprestando livros, me incentivando a participar dos torneios locais, e posteriormente me acompanhando em torneios fora da cidade. 

 

O que acha do cenário do xadrez na Bahia e em Conquista atualmente?

Na minha visão como um espectador que está afastado a um bom tempo, acredito que estamos com um grupo de fortes jogadores que está se sobressaindo no cenário nacional de xadrez. Mas acho que está faltando acontecer competições de nível nacional no nosso estado.

 

Quais os jogadores Baianos mais fortes na atualidade? Cite 5 em ordem de força

Acredito que Paulo Jatobá, Diogo Duarte, Luciano Zallio, Jorge Ferreira e outros.

 

O que espera da atual gestão da FBX?

Desejo que essa gestão tenha em sua política, o compromisso social, viabilizando o acesso ao conhecimento do mundo do xadrez a todos que por ela se interessar. Que Vitória da Conquista possa ser cenário de mais competições, possibilitando o encontro entre as várias gerações do xadrez, que construíram e constroem a história desse esporte. E que tenha uma política de marketing atrativa que divulgue nosso esporte.

 

QUAL A SUA PARTIDA INESQUECÍVEL E PORQUE?

Com certeza foi minha última partida do match para decidir o campeonato baiano de xadrez contra Hemar Barata. Precisando do empate para sagrar-me campeão, lembro-me que destemidamente, empreendo um forte ataque na ala do rei e encontro uma defesa precisa de Hemar, mas o ônus da defesa foi a simplificação de peças e uma posição de inevitável empate. 

 

Qual adversário que mais lhe impôs dificuldades a nível de competição?

Creio que maioria dos jogadores da Bahia tem Paulo Jatobá como principal “pedra no sapato” como adversário. E comigo não seria diferente.

 

Pensa em disputar o título estadual mais uma vez?

Pretendo aos poucos voltar jogar torneios, e se estiver jogando num nível competitivo aceitável, poderei disputar o título estadual. 

 

O que falta para a Bahia ainda não está na elite do xadrez Brasileiro?

Acredito que são alguns fatores, como uma base maior de jogadores, competições de nível nacional, integração dos jogadores para formarem grupos de estudos, dentre outros.

 

 

Bate bola, jogo rápido: Responder curto, se possível uma palavra

Um campeão mundial – Bobby Fischer

Uma jogadora  – Judith Polgar

Um torneio inesquecível – Zurich 1953

Um treinador – Mark Dvoretsky

Um esporte – Xadrez

Um atleta – Ayrton Senna

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