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12 de agosto de 2020

Entrevista: Daniel Góes

Conheça um pouco sobre a história do Mestre FIDE Daniel Góes em uma entrevista exclusiva para a FBX.

Entrevista com o MF Daniel Góes

Quando começou a jogar xadrez?

Aos doze anos de idade, quando meu avô paterno Alcebíades Góes se ofereceu para me ensinar a jogar xadrez. Na época pareceu-me familiar e não tive dificuldades em aprender, até com uma certa precocidade visto que, com menos de dois meses, ele não conseguia mais me derrotar, era divertido!

Algumas de suas partidas jogadas em campeonatos brasileiros juvenis podem ser encontradas na internet. Você teve resultados expressivos nessa época contra jogadores como Darcy Lima e Hermes Amílcar. Nessa época, quais eram suas aspirações no xadrez?

Para mim o xadrez sempre foi uma diversão, uma forma de fazer amigos e viver experiências interessantes com as competições, nunca pensei em ser um jogador profissional ou algo parecido. Mais adiante, quando comecei a atuar na educação como docente de matemática, pude estabelecer conexões interessantes entre o xadrez e a educação, e assim incorporar profissionalmente a atividade de educar através do jogo de xadrez em projetos interessantes.

Quais são os 10 maiores jogadores da história do xadrez baiano na sua opinião?

Considerando a época em que frequentava mais intensamente o Clube de Xadrez, além de Pinto Paiva podemos destacar José Grimaldo, Manoel Paes, Ulisses Jr., Alberto Salinas, Messias Lopes, Hemar Barata, Júlio César, Paulo jatobá, Carlos Paterson, Armínio Santos, Bolívar Gonzalez, Adriano Barata, Roberto Santos, Pedro Segundo da Costa, e muitos outros jogadores extraordinários a quem peço desculpas por esquecer os nomes. Mas, também merecem destaques a nossa MI baiana Ruth Cardoso, que diversas vezes sagrou-se campeã brasileira e Francisco Marotta que antecedeu Pinto Paiva em brilhantismo. Na atualidade, creio que Diogo Duarte, filho do saudoso amigo Rogério Duarte, seja o nosso melhor representante, mas como estou afastado pode ser que esteja omitindo o nome de alguém com o potencial dos citados. 

Você tem duas grandes vitórias contra o bi campeão brasileiro José Pinto Paiva, uma jogando de pretas a defesa índia da dama e a outra de brancas jogando a abertura escocesa. Qual foi a sensação de vencer uma lenda do xadrez brasileiro?

Como disse anteriormente, jogar xadrez sempre foi emocionante e divertido, uma grande conquista vencer alguém que era referência para todos nós, Pinto Paiva além de ter um gigantesco talento enxadrístico é um ser humano generoso e elegante, tenho orgulho de tê-lo conhecido.

Em 1991, você venceu a semifinal do campeonato brasileiro absoluto de forma invicta. Comente sobre esta importante conquista.

Sinceramente não esperava tal feito, não me sentia tecnicamente preparado, na verdade nunca fui um jogador de decorar aberturas e, em meus estudos, buscava mais compreender os conceitos estratégicos e táticos do meio-jogo e os finais, recordo-me que jogava a competição sem preocupações com resultados, era um dos últimos da lista classificatória pelo ranking, e creio que isso possa ter me ajudado. Só fiquei um pouco tenso na última partida quando o árbitro me informou que se eu ganhasse seria o campeão, foi quando “caiu a ficha”.

Você atingiu a marca de 2335, tornando-se um dos 50 melhores enxadristas do país. Como encarou isto?

Foi surpreendente, mas os meus objetivos eram outros, até mesmo por ter pouco tempo de casado à época e com filhos pequenos meu foco era a minha família. Em função disso recebi muitos convites para participar de competições, entrevistas e de alguma forma aproveitei a “fama repentina”.

Quais foram seus principais adversários no xadrez baiano?

De minha parte não considero que tenha havido grandes rivalidades, as vezes conseguia ganhar e em outras perdia, o processo em si que levava à aprendizagem e a convivência eram os mais importantes. Tenho saudades daquela época, das viagens representando a Bahia nos jogos escolares e universitários, muitas amizades construídas.

Você é considerado por muitos um dos maiores jogadores do xadrez baiano de todos os tempos, mas o curioso é o fato de que você nunca conquistou um título baiano absoluto. Qual foi o obstáculo que o impediu de entrar na galeria dos campeões estaduais?

Joguei pouquíssimos campeonatos baianos absolutos, no máximo dois, sendo que só conclui o primeiro, o segundo apesar da larga vantagem de pontos que tinha na classificação geral e faltando poucas rodadas resolvi abandonar, foi um desses arroubos juvenis e imaturidade (tinha 18 anos) por discordar de uma situação ocorrida, depois disso não mais joguei o absoluto que deixou de ser definitivamente um objetivo para mim. Por mais de uma vez fui campeão baiano em outras modalidades (juvenil, universitário, blitz, …).

Como era sua preparação para os torneios de xadrez?

Como disse anteriormente buscava focar os conceitos e temas combinatórios, também gostava de analisar partidas de GMs contidas na Revista Chess Informant.

Como define o seu estilo de jogo?

Táctico, porém consciente, recuar é preciso algumas vezes. Inspirava-me nas partidas de Rudolf Spielmann, Alekhine e Capablanca.

Qual é a relação existente entre os seus dois interesses o xadrez e a matemática?

Absoluta, assim como a Matemática o Jogo de Xadrez é essencialmente baseado em relações. 

Você tem como tema de sua dissertação de mestrado o xadrez. O que o levou a escrever uma dissertação de mestrado tendo o xadrez como um tema?

O objeto da pesquisa foi escolhido por serem campos de estudo (Xadrez e Matemática) que estavam sob o meu domínio e conectados como foi dito anteriormente.

Você ainda pensa em voltar às competições estaduais?

Não, a prática do xadrez foi muito boa durante um período da minha vida e sou grato por isso, mas hoje os meus interesses estão bem distantes de um eventual retorno.

 

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